• Amazônia Urbana

Preços salgados no mercado: alta da inflação afeta poder de compra e altera hábitos de consumo

Atualizado: 8 de jul.

Por Ana Rosa Batista e Wander Lima

Produção Andréia Santana

Revisão Elaide Martins


A situação econômica instável do país tem impactado cada dia mais nas visitas do consumidor ao supermercado. Mudanças nas prioridades da lista de compras seguem a forte pressão da inflação, percebida no aumento dos preços de diversos produtos, como os itens da cesta básica, o que afeta os brasileiros como um todo, principalmente a população de menor renda. Segundo definição do Banco Central do Brasil, a inflação é o aumento dos preços de bens e serviços, que implica diretamente no poder de compra, sendo medida pelos índices de preços. A parte da população com baixo poder de compra é a que mais sofre com a alta da inflação, visto que, quando a inflação é superior ao aumento de salário, há perda do poder de compra e o trabalhador acaba comprando menos. O valor do salário mínimo hoje é de R $1.212,00, e segue sem aumento real desde 2019, segundo o Ministério da Economia.

Quem costuma ir ao supermercado com frequência tem notado que já há algum tempo o salário não rende mais como antes. Dona de casa, Maria do Socorro Nunes diz que vai às compras no mercado quase todos os dias. “Nos últimos meses tenho me programado para ir sempre nos dias de semana, quando costuma ter promoções e, assim, poder comprar algo a mais e economizar também”. Moradora de Castanhal, município do nordeste paraense, Maria do Socorro conta que tem encontrado dificuldade em levar para casa produtos com preços mais em conta e de boa qualidade. “Fazer sempre uma boa pesquisa no mercado onde está melhor de preço é muito importante, também procuro substituir produtos quando está com uma alta de preço além do normal”.


PREVISÃO DA TAXA DE INFLAÇÃO PARA ABRIL É A MAIOR DESDE 1995

Termômetro oficial da inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é responsável por identificar a variação de preços no comércio mensalmente. Segundo dados divulgados pelo Banco Central no último dia 26 de abril, a estimativa dos bancos é de que a inflação neste ano aumente de 6,86% para 7,65%, sendo a 15° alta seguida na estimativa de inflação para 2022. Se a previsão se confirmar, será o segundo ano seguido de estouro da meta de inflação. Em 2021, o IPCA somou 10,06%, o maior índice desde 2015.

Preço do tomate registrou nova alta em abril | Foto: Wander Lima

Além de tudo isso, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira (27) dados que preveem a maior taxa de inflação para o mês de abril em 27 anos (1,73%). O aumento nos preços nacionais relacionados ao grupo dos Transportes, influenciado pela alta no preço da gasolina, é o principal fator responsável por essa taxa histórica. O grupo de Alimentos e Bebidas foi o segundo que mais impactou nos cálculos para a inflação no mês de abril (avançaram 2,25%), puxados pelo aumento dos itens consumidos no domicílio (3,00%). Os itens que registraram maior alta foram o tomate (26,17%), o leite longa vida (12,21%), a cenoura (15,02%), o óleo de soja (11,47%), a batata-inglesa (9,86%) e o pão francês (4,36%).


Todos esses dados indicam que deve ficar cada vez mais difícil fazer o dinheiro render durante as compras. Dona Maria do Socorro compartilha sua percepção: “com a alta nos preços nos últimos meses, temos que ser bastante estratégicos para poder levar os itens essenciais para casa”.


“Não posso dizer que entrou algo a mais na lista de compras, simplesmente retirei coisas supérfluas para poder manter coisas que são básicas e necessárias no nosso dia a dia" Maria do Socorro Nunes, dona de casa

Ainda assim, a dona de casa continua perseverando na busca pelo equilíbrio entre custo e benefício em suas escolhas de mercado: “Tem produtos que, apesar da alta de preços, não gosto de substituir, mas tento economizar, por exemplo: gosto de um bom café, que por sinal está muito caro! Mas, se antes gastava comprando 1kg, agora tento economizar e levar menos e assim consumir o mesmo produto. Porém, tem coisas que sim, substituímos algumas marcas por outras mais baratas para poder economizar mais”.

89 visualizações0 comentário