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A produção literária em Belém em contexto pandêmico: otimistas e obstinados

Atualizado: 8 de jul.

Por Adrielly Araújo

Revisão Elaide Martins


O mercado literário brasileiro, em crise antes da pandemia, teve sua situação agravada durante o começo da problemática sanitária, mas teve um grande aumento no final de 2020 para 2021. De acordo com a última edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, foi registrado a perda de 4,6 milhões de leitores no Brasil entre 2015 e 2019. Outros agravantes para o setor de literatura no nosso país envolvem até mesmo certas manobras políticas, como a proposta de reforma tributária do ministro da Economia, Paulo Guedes, a Contribuição sobre Bens e Serviços, se entrar em vigor do jeito que se pretende, representa uma taxação de 12% sobre livros, sob a justificativa de que os mais ricos são os que mais consomem livros no Brasil atualmente.


Segundo relatório da Nielsen e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), o faturamento do mercado de livros no Brasil em dezembro foi de 197,8 milhões, o que representa um crescimento de 4,9% em comparação ao mesmo período do ano passado.


Foi nesse contexto que ocorreu a produção dos livros do humorista Geraldo Wellington e da professora universitária Yohana Maia, chamados “Itaquá: Um Pedaço de Chão Mágico” e “Moda-C: O novo método 5c para dominar o processo de criação de coleções”, respectivamente.


Os dois escritores fizeram todo o processo de escrever seus livros durante a pandemia e aproveitaram a Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes 2021 para lançá-los. Quando perguntado sobre esse processo, Geraldo Wellignton conta que os obstáculos não foram fáceis de serem atravessados e demonstrou um grande nervosismo com a terceira onda se aproximando. “Eu fui convidado para um outro evento e meu editor disse ‘bem, precisamos terminar seu livro antes que comece a vir novas regras (se referindo a um possível lockdown e restrições)’, mas eu estou otimista, estamos apostando nas redes sociais, em fazer as vendas online e em fazer as entregas também por esses aplicativos, a expectativa é essa”, relata.


O humorista conta que o livro “Itaquá: Um Pedaço de Chão Mágico” veio de um momento muito fragilizado de sua vida: “Em 2019 eu tive depressão e acabei afastado do trabalho, estou afastado até hoje, então senti a necessidade de fazer alguma coisa para passar o tempo. A primeira coisa que eu fiz em 2016 foram vídeos humorísticos para as redes sociais, em 2018 eu comecei a escrever lembranças minhas de Itaquá, que é uma ilha aqui em frente de Vigia. Quando eu ia para lá eu escutava essas histórias de Matinta Pereira, de Lobo John, Pedro Malasarte e aí eu juntei tudo. Um pouquinho da cabanagem, um pouquinho do Círio de Nazaré. É uma mistura da minha imaginação com as lembranças”.


Com uma pegada completamente diferente, o livro “Moda-C: O novo método 5c para dominar o processo de criação de coleções”, da professora de moda Yohana Maia, é sobre um método de desenvolvimento de coleções autorais de roupas. “Eu sou professora de moda há 12 anos, foi como se eu compilasse as quatros disciplinas que eu dou aula em um livro, todas envolvem criatividade, processo de criação e desenvolvimento de coleção. Então, eu criei esse método, passo a passo, para que as pessoas consigam sair do zero e construir as suas coleções de moda autorais", explica.



Yohana conta que, além da dificuldade de produzir um livro durante a pandemia, o projeto foi o seu primeiro no mundo literário. “O processo de produção foi bem complicado também por ser meu primeiro livro. Ele foi contemplado pela Lei Aldir Blanc, que tem um cronograma bem restrito, então eu tive um prazo curto. Conseguir escrever, diagramar tudo isso no curto espaço de tempo na pandemia, a gente ainda teve lockdown, teve toda essa correria, mas por outro lado eu acho que quando se tem um prazo estipulado a gente vai, coloca a meta e cumpre, né?", relata a professora.


Apesar de ser um livro técnico, a modista garante que é acessível para qualquer um interessado no mundo da moda. “A minha ideia sempre foi construir esse método passo a passo, né? E com uma linguagem que fosse simples, que qualquer pessoa pudesse entender, não só as pessoas da academia, mas também uma pessoa que queira, por exemplo, abrir sua marca de moda. Então, ela tem um passo a passo com ferramentas práticas”, completa.


Mesmo com as dificuldades de produzir literatura durante a pandemia deste século, a qual estamos vivendo a terceira onda neste momento, os autores paraenses se mostram otimistas e obstinados e o mercado de compra de livros vive um crescimento notório em um contexto de flexibilização dos protocolos de segurança vividos durante a pandemia, como comprova o relatório da Nielsen e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL).


Feira Pan-Amazônica do Livro. Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

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