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A arte do reencontro! MiritiFest volta ao presencial em 2022

O reencontro presencial do público com a arte centenária do artesanato de miriti acontece depois de dois anos de realização do MiritiFest em formato online por conta das restrições da pandemia da covid-19


Por Ana Rosa Batista, Heloiá Carneiro, João Reis e Nayan Aviz

Revisão Claudiane Carvalho


Trabalho de Josiel Gomes, exposto na Praça da República | Foto:

Com o tema “Reencontro com a nossa arte”, a 18ª edição do evento reuniu artesãos no município de Abaetetuba, a 219 km de Belém, na microrregião de Cametá, no final do mês de maio último (dias 27 a 29). A iniciativa é uma promoção da prefeitura local em conjunto com a Associação Comercial e Empresarial e a Associação dos Artesãos de Brinquedo de Miriti (Asamab).


Ao fortalecer manifestações culturais e estimular fontes geradoras de renda, o MiritiFest 2022 atrai turistas e contribui para o desenvolvimento local, inserindo no mercado famílias e produtores excluídos. Os brinquedos de miriti são uma forma de artesanato característica de Abaetetuba. As peças são fabricadas com a polpa ou a bucha da palmeira denominada miriti, abundante no município e nas áreas de várzea da Amazônia. Na crença popular, a prática artística começou com as crianças que se valiam da maciez do material para entalhe e, também, da possibilidade de produzir brinquedos que flutuam nos rios, igarapés, lagos e poças d'água deixadas pela chuva.

“Sou artesão desde menino”, brinca o artesão Raimundo Trindade, 44 anos, ao relembrar da sua infância. Morador da comunidade Pirocaba, em Abaetetuba, Raimundo conta que a arte é tradição de família, porque seu avô materno fazia barco de miriti, violas e outros brinquedos. A produção era para consumo próprio, explica relatando sua própria experiência: “Eu não vendia, não tinha essa questão de encomendas”. A profissão de artesão se consolidou há cinco anos, quando começou a pegar encomendas. “Pessoas veem meu trabalho, vão divulgando e eu vou vendendo”, comemora a nova fase.

Estande de Exposição de Raimundo Trindade | Foto:

Funcionário público, Raimundo aproveita as horas vagas para se dedicar à arte com miriti e tem no artesanato uma fonte de renda secundária que auxilia nas despesas mensais. Membro da Associação dos Agroextrativistas, Pescadores e Artesãos do Pirocaba (ASAPAP), Raimundo também trabalha com biojoias e orgulha-se de ter seu nome inscrito no Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (SICAB). “Tenho a minha carteira de artesão, então eu posso comercializar meus produtos também em Belém”, destaca.


Diferente da trajetória do nosso artesão de Pirocaba, há outros artistas que conseguem se manter apenas com a comercialização de seus produtos. Josiel Gomes, 33 anos, da Comunidade Quilombola do Rio Itacuruçá (Ilhas de Abaetetuba), trabalha há 10 anos com o miriti e, há cinco, o artesanato tornou-se sua principal fonte de renda. Todos os finais de semana, Josiel viaja para Belém, a fim de expor seus produtos na Praça da República e observa o encantamento, especialmente, do turista. “Vejo muita valorização do brinquedo de miriti, principalmente das pessoas de outras regiões, estados e países”. Atento e crítico, Josiel também se ressente da falta de mais incentivo. “Creio que, se tivéssemos mais apoio de nossos governantes, teríamos grandes chances de levar o nome de nossa cidade muito mais longe”.


No estado do Pará, o artesanato de miriti é fonte de renda, especialmente, para as regiões ribeirinhas, comunidades quilombolas e territórios tradicionais. No entanto, desenvolver políticas públicas e programas de assistências para agregar e atender às demandas dessas famílias, não consiste apenas numa questão econômica, mas, sobretudo, numa estratégia de afirmação das identidades e culturas locais.


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